Nota Técnica nº IMA/GDA/EPIDEMOLOGIA nº. 1/2019

Infestação de colmeias pelo Aethina tumida: primeira ocorrência em Minas Gerais

Foi confirmada a primeira ocorrência do PBC (Pequeno Besouro das Colmeias) da espécie Aethina tumida em Minas Gerais, no município de Juiz de Fora 

A notificação da suspeita foi feita em 13/08/2019, quando 3 (três) insetos foram entregues pelo produtor no Escritório Seccional do IMA em Juiz de Fora para identificação. Os insetos foram coletados no fundo de uma caixa de uma colmeia pelo produtor.

A amostra foi enviada ao Instituto Biológico em São Paulo para identificação e o resultado POSITIVO foi confirmado em relatório de ensaio em 31/08/2019.

O resultado positivo foi enviado à Sede do IMA em Belo Horizonte em 12/09/2019.

A confirmação da ocorrência foi imediatamente notificada ao MAPA em 12/09/2019 pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

A investigação no foco foi feita em 16/09/2019. O apiário foi interditado para trânsito de colmeias e de seus produtos. Havia apenas uma colmeia no foco porque a colmeia afetada foi eliminada e substituída por outra sadia. No momento da vistoria não foi encontrado o besouro na colmeia existente na propriedade e o produtor relatou que fez a desinfecção da caixa afetada.

O transporte de colmeias ou suas partes (povoadas ou não) e de abelhas rainhas oriundas do município de Juiz de Fora está proibido. Vistorias em apiários cadastrados no município e buscas por produtores não cadastrados estão sendo feitas. Todos os vínculos epidemiológicos serão investigados. Outras medidas de prevenção e controle estão sendo tomadas.

No Brasil a ocorrência de Aethina tumida está limitada a algumas áreas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.

Essa Nota Técnica vem divulgar a ocorrência de Aethina tumida no estado para as autoridades sanitárias, apicultores e aqueles envolvidos no setor apícola. Visa divulgar as ações de vigilância para o controle e a prevenção dessa infestação e recomendar a adoção das mesmas, objetivando evitar e/ou minimizar prejuízos sanitários e sócio-econômicos.

O mapa em anexo mostra a localização do foco no município de Juiz de Fora em Minas Gerais.

AÇÕES RECOMENDADAS

1. Ação em apiário:

  • Utilizar colmeias modelo padrão. As caixas inapropriadas devem ser inutilizadas e desinfestadas por métodos tais como fervura, vassoura de fogo, imersão em solução com detergente ou outro procedimento de eficácia equivalente adotado sob orientação da autoridade veterinária;
  • Inspeção periódica no apiário para verificar e remover colmeias abandonadas e colônias fracas/desestruturadas, em que tenha sido constatada a presença de larvas do besouro. O material deve ser submetido a desinfestação imediata.
  • Deslocar as colmeias para locais arejados e com boa incidência solar, solo limpo, seco e rígido, pois essas condições dificultam o ciclo de reprodução do besouro.

2. Na extração e processamento de mel e produtos apícolas:

  • Mel: após a extração, o produto deverá ser submetido à filtragem obrigatória em estabelecimento que atenda à recomendação expressa no Código Sanitário dos Animais Terrestres da OIE – 2018, com malha do filtro cujos poros não sejam superiores a 0,42mm.
  • O resíduo da filtragem do mel deverá ser tratado imediatamente com procedimentos que possam assegurar a sua completa desinfestação. Por exemplo, congelamento a temperatura igual ou inferior à -12 ºC pelo período mínimo de 24 horas, e dissecação por secagem a frio ou qualquer procedimento de eficácia equivalente reconhecido pela autoridade veterinária;
  • Pólen, Geleia Real e Própolis: Congelamento no mínimo de 2 a 5 dias à temperatura abaixo de Zero grau.
  • Cera: deverá ser processada termicamente – derretida – antes de ser usada novamente.

3. Medidas de Controle de Movimentação:

  • Proibir o transporte de colmeias ou suas partes (povoadas ou não) e de abelhas rainhas oriundas de apiários infestados por PBC para outras áreas (municípios) sem ocorrência;
  • Todos os carregamentos de melgueiras (ou sobrecaixas) e colmeias (povoadas ou não) devem ser envoltos em tela com malha de 2mm ou menos.

4. Vigilância Epidemiológica:

  • Promover ações de vigilância ativa para detecção e identificação precoce do PBC;
  • A vigilância e a inspeção dos apiários devem empregar técnicas de manejo mecânico por meio do uso de armadilhas (por exemplo, o plástico corrugado colocado no fundo da colmeia, ou a utilização de método similar);
  • Planos de vigilância para vistorias de colmeias;
  • Ações de Educação Sanitária e Comunicação Social para orientar os apicultores;
  • São considerados locais de riscos e devem ter vigilância ativa e sistemática: 1) portos, aeroportos, postos de fronteiras, apiários de exploração migratória ou transumância (na origem e no destino); 2)  apiários cujo apicultor possua apiário/colmeias em outros países; 3)  apiários com colmeias localizadas a menos de 3 km de lixões; 4) entrepostos e casas de extração de mel; 5) laboratórios de diagnóstico para doenças apícolas; 6) aeroportos e rodoviárias; 7) apiários onde foi detectada doença ou praga de importância para a apicultura; 8) apiários que produzem e comercializam material genético de abelhas (rainhas, sêmen); 9) outros locais e procedimentos de risco, assim considerados  pelo SVO;
  • Estabelecimentos processadores de mel e outros produtos apícolas somente devem receber produtos de apicultores que possuam cadastro em situação regular nos respectivos órgãos estaduais de sanidade agropecuária – OESAs.

Demais recomendações:

Orientação aos apicultores:

  • Notificar imediatamente o serviço veterinário oficial em caso de suspeita da ocorrência do Pequeno Besouro das Colmeias no apiário;
  • Inspecionar regularmente as colmeias: ao abri-las, observar atentamente a tampa, as laterais, o fundo, as frestas, os quadros e os favos para detectar a presença do besouro.
  • Utilizar colmeias em bom estado de conservação, evitar usar colmeias com frestas para que o besouro adulto não se esconda e fique fora do alcance das abelhas operárias.
  • Caixas abandonadas devem ser retiradas do campo para não servir de abrigo para o besouro. Normalmente, é nesse ambiente que o besouro se desenvolve e reproduz livremente sem o patrulhamento das abelhas. Essas caixas, incluindo quadros, devem ser submetidos à desinfestação.
  • Raspar periodicamente o acúmulo de própolis e de cera na tampa, nas molduras dos quadros, paredes e fundo das colmeias, que podem servir de abrigo para o besouro;
  • Usar somente colmeias com espaço abelha adequado, o que permite o patrulhamento das operárias em busca dos besouros;
  • Substituir os favos de crias velhos periodicamente;
  • Caso necessário, as abelhas devem receber suplementação energética ou proteica, sob a forma de xarope ou substituto do pólen, por período não superior a 5 dias;
  • Alimentação proteica pastosa deve ser oferecida em local com espaço suficiente para que as abelhas patrulhem, cobrindo toda a superfície. O xarope do alimentador deve ser removido e limpo se estiver fermentado ou com abelhas mortas;
  • Após a colheita, a extração do mel deve ser feita com a maior brevidade possível e, após a extração, os quadros devem ser devolvidos para as colmeias, evitando-se a exposição desse material sem a devida vigilância das abelhas;
  • Fundir, imediatamente, a cera dos opérculos resultante da extração do mel;
  • Nunca introduzir abelhas ou rainhas importadas no apiário sem a certificação veterinária internacional emitida pelo país exportador.
  • Independente da finalidade, para trânsito inter ou intraestadual, é obrigatória a emissão e o acompanhamento da Guia de Trânsito Animal (GTA);
  • Material apícola usado, incluindo caixas, quadros, favos e cera de abelhas, é fonte potencial de infestação; portanto, deve ser de origem conhecida e inspecionado antes da introdução no apiário;
  • Recomenda-se instalar os apiários em local com boa incidência solar, com solo seco e rígido para dificultar a proliferação do besouro;
  • Recomenda-se sempre a manutenção de colônias fortes e com bastante cria.

Cuidados na sala de extração do mel:

Sem o patrulhamento das abelhas, todo material apícola é potencialmente vulnerável à reprodução do besouro, sendo necessário tomar cuidados adicionais na utilização da sala do mel.

  • Manter sempre as instalações limpas, sem resíduos de mel, cera, abelhas mortas e outros produtos do apiário;
  • Materiais e equipamentos utilizados na desoperculação devem ser imediatamente limpos;
  • Opérculos e pedações de favos devem ser imediatamente processados;
  • Restos de cera sobrenadante de mel também devem ser retirados para impedir o desenvolvimento de larvas e perdas do produto por contaminação;
  • Todo o cuidado é importante, pois as larvas que conseguem se desenvolver nesse ambiente migram para o ambiente externo e continuam o ciclo de reprodução do besouro.

CONCLUSÃO

As medidas de controle da população de besouro nos apiários infestados envolvem a utilização de boas práticas de manejo, intensificação das ações de vigilância, educação sanitária e controle da movimentação.

É preciso haver ampla divulgação direcionada aos apicultores, meliponicultores, associações, federações, confederações, sindicatos e outras entidades vinculadas à atividade apícola.

REFERÊNCIAS

  1. Código Sanitário dos Animais Terrestres da OIE – 2018. Capítulo 9.4 – Infestação por Aethina tumida (Escaravelho da Colmeia).
  2. Instrução Normativa MAPA nº 50, de 24 de setembro de 2013.
  3. Nota Técnica nº 9/2019/DSE/CAT/CGSA/DSAIP_2/SDA/MAPA